segunda-feira, 13 de abril de 2015

Gianicolo

Um dos meus lugares preferidos em Roma é, até agora, Gianicolo, por várias razões:
- É perto de onde eu moro;
- Oferece uma vista deslumbrante sobre a cidade;
- Apesar dos turistas, é uma zona tranquila e serena, cheia de verde;
- É o cenário da cena inicial do filme La Grande Bellezza, do Sorrentino (aconselho toda a gente a ver, dizer que é magnífico não é suficiente, abaixo o trailer).

Ontem fui lá pela segunda vez, com a Sara que me veio fazer uma rápida visita. Fartámo-nos de conversar sobre as várias interpretações do filme, sobre as várias interpretações da vida em geral, em fim. Foi uma boa lavagem intelectual. Tenho vontade de lá voltar rapidamente, desta feita sozinha. E as imagens falam por si.







É como ir a Roma e não ver o Papa

Pensava muito nesta expressão e ria-me, "é como ir a Roma e não ver o Papa". Porque eu estava em Roma há quase dois meses e, realmente, ainda não o tinha visto. Já cá estive anteriormente, e não o vi. Aliás, estive cá quando o Papa ainda era o Bento XVI. Não o vi e pensei que também não era grave, ficaria para uma próxima. É claro que não aconteceu.

O fim-de-semana de Páscoa serviu para ver o Papa duas vezes. A primeira no sábado, no Colosseo - acabei por lá parar um bocado ao acaso. A segunda na Piazza di San Pietro, no domingo.

A Páscoa nunca teve para mim grande significado, o que neste momento foi estranhamente bom. Na véspera do domingo de Páscoa fazia um sol lindíssimo. O dia de domingo amanheceu sombrio e a ameaçar um temporal daqueles. E foi o que aconteceu. Choveu muito. Conseguimos um bom lugar para ver a cerimónia mas, dadas as circunstâncias, não adiantou de muito. Chovia a cântaros e os guarda-chuvas não eram grande ajuda, sobretudo limitavam a visibilidade a 100%. Eu tremia de frio e os meus pés estavam mergulhados numa pequena poça que eram os meus ténis. Esperámos 1h30 pelo começo da cerimónia. O Papa era uma pequena ervilha branca lá ao fundo e eu perguntava-me o que é que estava eu ali a fazer quando a minha cama estava tão quentinha...
E de repente comecei a pensar no significado da Páscoa. Na simplicidade da vida. No sofrimento de Cristo por nós. No meu sofrimento ali à chuva. É difícil de explicar como mas, subitamente, tudo me estava a fazer sentido e não poderia ter sido de outra forma. Era ali que eu tinha de estar, estava a precisar daquilo. Estava realmente a precisar de me reconectar comigo mesma.
A experiência de Erasmus implica (pelo menos para mim) estar tudo a acontecer ao mesmo tempo: muita gente, conversa, eventos, viver a cidade ao máximo, viver os novos amigos ainda mais, descansar pouco e festejar muito. Faz parte. Mas também deve fazer parte um pouco de calma e o dia de Páscoa incutiu em mim a calma de que eu estava a precisar. E também uma constipaçãozinha.
Cheguei a casa, tirei a roupa ensopada, vesti um pijama e enfiei-me dentro da cama. À noite, fizemos um jantar tranquilo, a malta cá de casa e eu, o nosso jantar de Páscoa em família. Em casa. Felizes.