O fim-de-semana de Páscoa serviu para ver o Papa duas vezes. A primeira no sábado, no Colosseo - acabei por lá parar um bocado ao acaso. A segunda na Piazza di San Pietro, no domingo.
A Páscoa nunca teve para mim grande significado, o que neste momento foi estranhamente bom. Na véspera do domingo de Páscoa fazia um sol lindíssimo. O dia de domingo amanheceu sombrio e a ameaçar um temporal daqueles. E foi o que aconteceu. Choveu muito. Conseguimos um bom lugar para ver a cerimónia mas, dadas as circunstâncias, não adiantou de muito. Chovia a cântaros e os guarda-chuvas não eram grande ajuda, sobretudo limitavam a visibilidade a 100%. Eu tremia de frio e os meus pés estavam mergulhados numa pequena poça que eram os meus ténis. Esperámos 1h30 pelo começo da cerimónia. O Papa era uma pequena ervilha branca lá ao fundo e eu perguntava-me o que é que estava eu ali a fazer quando a minha cama estava tão quentinha...
E de repente comecei a pensar no significado da Páscoa. Na simplicidade da vida. No sofrimento de Cristo por nós. No meu sofrimento ali à chuva. É difícil de explicar como mas, subitamente, tudo me estava a fazer sentido e não poderia ter sido de outra forma. Era ali que eu tinha de estar, estava a precisar daquilo. Estava realmente a precisar de me reconectar comigo mesma.
A experiência de Erasmus implica (pelo menos para mim) estar tudo a acontecer ao mesmo tempo: muita gente, conversa, eventos, viver a cidade ao máximo, viver os novos amigos ainda mais, descansar pouco e festejar muito. Faz parte. Mas também deve fazer parte um pouco de calma e o dia de Páscoa incutiu em mim a calma de que eu estava a precisar. E também uma constipaçãozinha.
Cheguei a casa, tirei a roupa ensopada, vesti um pijama e enfiei-me dentro da cama. À noite, fizemos um jantar tranquilo, a malta cá de casa e eu, o nosso jantar de Páscoa em família. Em casa. Felizes.

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