segunda-feira, 9 de março de 2015

Cinco de cada canto

Na minha casa habitam, para além de mim, quatro seres-humanos aproximadamente da mesma idade, cada um de cada nacionalidade:
- um alemão chamado Julius;
- uma holandesa chamada Linda;
- uma austríaca chamada Sara;
- uma escocesa chamada Ciara (mas lê-se Keera).



Os primeiros três entendem-se a falar alemão. Quando à escocesa, toda a gente percebe sempre o que ela diz. Eu sou a única mediterrânica, a que estabelece a ponte entre Itália e os restantes países, a única que sabe falar italiano e a quem se deve recorrer quando surgem questões de maior.

Às vezes fazemos uma sessão de aprendizagem do italiano. É interessante ver como resulta tão mais fácil para um português falar e aprender esta língua. Eles têm dificuldade com tantas e tão pequenas coisas que eu nem imaginaria... e apetece-me enfiar tudo o que sei num saco e oferecer-lhes: tomem, aqui têm tudo o que precisam.

Às vezes surge na casa um momento-chave de descoberta cultural. Normalmente, entre mim e eles porque, de alguma forma, as culturas deles têm mais a ver umas com as outras do que com a minha. O primeiro choque foram os guardanapos. 

Guardanapos? Para quê? Para limpar a boca durante a refeição... vocês não usam? Não... normalmente não!

No outro dia, depois de jantar, o Julius mostrou-me orgulhoso o seu guardanapo, praticamente limpo: Vês como não preciso?! Limpíssimo!

Seriam uns pequenos porquinhos, não fosse a abébia da cultura... temos de tolerar mais, quando lidamos com outras pessoas em Erasmus. Afinal, pode ser tudo apenas uma questão de perspectiva. Este facto pode também servir de desculpa para muita coisa... 


"Ah, no meu país é normal deixar o quarto todo desarrumado, é até sinal de boa educação!"

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