Duas semanas sem internet em casa é muito tempo. Chega a ser desesperante, mas tentei manter uma atitude receptiva a todo o tipo de situações inesperadas.
Estar sem internet obrigou-nos, cá em casa, a conversar, a trocar opiniões, a falar pormenorizadamente daquele vídeo fixe que se eu pudesse mostrava-to agora mesmo!
Obrigou-me a ter de tomar mais decisões sozinha, sem os valiosíssimos conselhos da minha mãe. Antes era tão fácil ligar o skype e consultá-la para tudo e mais alguma coisa! Pensei que sim, que realmente era demasiado fácil, que nem sequer fazia sentido. Cheguei a ficar enervada, mas percebi que tinha de aprender a:
1. Saber decidir e agir por mim em situações críticas, confiando aos deuses o resultado do feito;
2. Lidar com a frustração de tomar más decisões - sim, porque eu sei bem que, afinal de contas, a minha mãe ter-me-ia dado as orientações necessárias para não cometer erros crassos;
3. Aprender com os erros.
Aprender com os erros não é só fazer algo de estúpido, chorar, aceitar e seguir em frente, jurando nunca mais fazer de novo. Também aprendi isto agora. Engraçado como eu pensava que sabia tanta coisa!
Aprender com os erros tem sido mais ou menos assim: vou pensar muito nisto e tomar uma decisão inteligente. Chegado o momento, penso: "Uau, é a melhor decisão que estou a tomar na minha vida!". E, obviamente, depois não é. Possivelmente até será a pior. (Nota: em 99% dos casos, encontro-me sóbria). Normalmente é nestes casos que envio uma mensagem à minha mãe. Ela tem tido bastante paciência, por sinal.
Para a próxima não faço assim e pelo menos aprendi, concluo. Mas há tantas próximas diferentes... Não consigo ainda distinguir se ando com azar ou se estou simplesmente a viver uma vida normal, longe do ninho. Se calhar o plafon de erros acaba este mês. Depois é sempre a abrir.
Tenho tido imensa festa, também. Não é nada mau. Se estivesse em Portugal, não teria vontade de manter este andamento. Mas é Erasmus, sei lá. Há uma força qualquer invisível que nos chuta para fora de casa, e depois apanhamos-lhe o jeito. Parece que não dá para largar. Ainda por cima, temos só mais cinco meses, bora aproveitar todas as oportunidades para fazermos figuras de idiotas e rirmo-nos no dia seguinte! Estarei a mudar? Ou somos necessariamente diferentes quando estamos longe de casa? Não sei, mas acho que me estou a habituar à ideia e até gosto.
Combinei com o Julius (alemão com quem vivo) que temos de ir correr frequentemente, e fazer algum exercício físico. Disso sinto falta. Não sei bem ainda como é que vou articular as noitadas e a vida saudável, mas tem de haver uma maneira. Ontem estava a conversar com ele, e comecei com este discurso inspiracional, de como devíamos acalmar com as festas, tornarmo-nos mais saudáveis, fazermos um esforço por acordar mais cedo...
Ele ouviu, atento, e eis que me perguntou:
- You know what they call people like you, here in Italia?
- Sabes como é que eles chamam a pessoas como tu, aqui em Itália?
- What?
- O quê?
E então, no seu belo sotaque alemão, rematou:
- Toxico-dipendente.
Hoje alguém partilhou no facebook este artigo sobre a experiência Erasmus, que me fez imenso sentido, sobretudo o número 8, respeitando a espanhóis e portugueses. Mas sobretudo espanhóis. Meu deus. Estão em todo o lado!!
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