domingo, 8 de fevereiro de 2015

Trovare una casa a Roma.

Encontrar uma casa/um quarto em Roma é bastante fácil. Conseguir um preço acessível, uma localização aceitável (tipo daquelas que não precises de apanhar 37 comboios) e uma casa decente, já é mais difícil. Mas se pensarmos que os senhorios são completamente doidos, completamente italianos, que não falam inglês e que se estão nas tintas para seja o que for, a coisa fica realmente complicada.

Eu, à cautela, consegui uma casa antes de ir. Mas, antes de saber desta, marquei uma semana num hotel, para passear com a minha mãe e para vermos quartos. A ideia era regressar a Lisboa, marcando o regresso a Roma para o fim do mês, mais perto do começo das aulas. Entretanto, acabei por marcar o regresso para dia 12, uma vez que este é o mês das festas e dos convívios.

Esta casa está no top de casas em Roma, por um número indeterminado de factores. Não é mal situada, mas longe da faculdade. A zona é calma. O preço é relativamente alto, sobretudo tratando-se da casa que é, mas dentro do leque de preços que se vê nos anúncios. Partilho a casa com uma colega de faculdade, cada uma com o seu quarto, o que também é um bónus: estudamos a mesma coisa, somos as duas portuguesas e estamos à vontade para receber visitas. Não temos ninguém a chatear-nos a cabeça.
Mas não temos sala. O esquentador da cozinha não funciona bem e deita água. Um balde tem de ser colocado por cima dos armários, debaixo do esquentador, a cada X horas. As anteriores inquilinas fizeram questão de referir que a senhoria já sabe, mas não lhe interessa para nada. Aparece uma vez por mês para receber o dinheiro e sai como entrou. A cozinha é demasiado pequena para se estar, quanto mais para se receber visitas. Soubemos também que a vizinhança é, no geral, um pouco sacana... o que não é grave, mas é desagradável.
Eu tentei fazer uma retrospectiva quanto a anúncios vistos, e achei que, apesar de tudo, a casa é um achado. Mas vamos ter uma dor de cabeça com a questão do esquentador e da senhoria. Além disso, não havendo espaço para trabalhar, seria interessante ir até à faculdade fazê-lo, fora do tempo de aulas - não temos aulas todos os dias. Podia ser pior, mas levamos cerca de 1h a ir, com andar a pé pelo meio desde o comboio até a uma estação de metro.

A Inês ainda não tinha chegado a Roma. No Welcome Day da faculdade conheci duas espanholas que conseguiram uma excelente casa, com cozinha enorme (mas sem sala, claro), por um valor bem abaixo do nosso, a 10 minutos da faculdade, numa zona movimentada e cheia de jovens! Nasceu então em mim o bichinho de procurar alguma coisa melhor, mais fidedigna. O que outrora parecia impossível, tornava-se agora numa hipótese plausível, apesar de improvável.

Por isso, decidi ir ver uma casa que me pareceu mais espaçosa, sem dúvida mais perto da faculdade, e com zona de estar. Nesta, teríamos de partilhar a casa com mais gente, mas não faz mal.

1. Enviar um e-mail à senhora que publicou o anúncio;
2. Confirmar o preço de cada quarto;
3. Obter, como resposta, "Amanhã às 12h Obrigada".

E lá fui eu, com a minha mãe. Chegámos 15 minutos atrasadas, mas eu sabia que não seria grave. Afinal, os italianos também chegam atrasados a tudo. Tocámos à campainha e ninguém abriu. Mas, entretanto, saíram uns senhores do prédio (bem simpáticos), e ajudaram-nos a identificar o andar. Em Roma, é tudo diferente. As campainhas não identificam o andar, mas sim o proprietário. Vemos o andar na caixa de correio, já dentro do edifício. O prédio era velho, o elevador era muito engraçado, apertado, e diferente de tudo o que já vi.
Já no quarto andar, tocamos novamente à campainha, e abre-nos a porta um rapaz que viemos a descobrir ser um israelita estudante de medicina, que vive na casa. E eis que conhecemos o proprietário, com o mesmo apelido da senhora com quem troquei os e-mails. Magro, despenteado, parecia ter uns quantos analgésicos em cima. Acende um cigarro. Faço-lhe perguntas sobre os quartos, sobre a casa, não sabe responder-me concretamente a nada... parecia que alguém tinha fechado as janelas todas à casa nas últimas duas semanas, depois tinha feito uma maratona de erva, cigarros e exercício puxado (porque tresandava a suor/roupa suja/ sei lá o quê) só para tornar a casa mais vivida. Mas, quanto à limpeza, há sempre solução. No entanto, um dos quartos era estupidamente pequeno. Nem sequer tinha cama, e acredito que não caberia ali. Mas o senhor dizia que sim, que cabia perfeitamente. Podíamos entrar quando quiséssemos, podíamos ficar até quando quiséssemos, enfim. Não havia regras.

Fiquei mal impressionada, apesar de já ter sido avisada de que este tipo de quartos são os mais normais. Fiquei de dizer alguma coisa mais tarde, e disse. Enviei um e-mail a dizer que um dos quartos era, infelizmente, demasiado pequeno. A resposta que recebi foi num tom passivo-agressivo, como quem me quer convencer de que é ali que eu devo ficar. Que o preço é fantástico. Que o quarto é demasiado pequeno, mas que nós somos amigas, por isso podemos conviver no quarto maior. Que não estamos a tomar uma boa decisão.

Ok. Obrigada. Mas não.

Sábado encontrei o anúncio perfeito! Meu Deus. Tudo como eu queria, e uma senhoria excepcionalmente responsável, atenciosa, fiquei em êxtase! E a casa aparenta ser tão melhor que a nossa! Seriam quartos partilhados, mas tantas casas-de-banho, e uma sala! Senhores, uma sala!!!!

Boh, como se diz. Agora fico à espera que chegue dia 12 para ir vê-la. E vamos cruzar os dedos.

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